
"Pedras que não rolam criam limo"
Dylan Thomas
Branco? Sim, a passagem do estado de tratamento em que estive para a vida normal deu um branco, até pra escrever este capitulo. Entrei num mar revolto, onde as idéias não mais se conectavam, e ainda não se conectam, mas vamos lá, quando não se tem inspiração se apela a transpiração, que nesse frio tá difícil.
Junto ao mestre Igor Stravinsky, sagrava a primavera, era setembro 2006, após a grande ajuda de um grande amigo pra me livrar das "garras do INSS" que me queria na "passiva" até dezembro, retornei ao trabalho, a vida que tanto queria, não sem antes claro ir a um showzinho de rock pra começa bem de novo, ativar as baterias. Franz Ferdinand, Art Brut e pra fechar um exclusivo pra meia dúzia de felizardos, Radio 4, quem nunca ouviu, ouça, como foi bom, mesmo careca passando frio, sem poder pular, sendo esmagado por 4000 pessoas estar lá no meio daquela festa, cito essa passagem pois poucas coisas me fazem sentir tão vivo quanto um show musical com músicos "honestos", seja lá qual for o estilo, mas que toquem pra você sentir no coração e não apenas ouvir, sentir , esta é a palavra.Burn this city.
Saia para viajar novamente com o sr. Stravinsky, pra quem não conhece é o compositor de a sagração da primavera, obra prima da musica clássica, começa calma e maravilhosa e explode como as flores anunciando a chegada da nova estação, musica vibrante,cheia de vida, que aliás deu vida a fantasia de Walt Disney. Queria recomeçar minha calma e ponderada, sem muito stress, ainda vinha fazendo algumas sessões de reiki o que no final da semana me recolocava no eixo, desligava do trabalho, que alias, já de cara na primeira semana, tudo estava de cabeça para baixo, chefe novo, área nova, buxixos de demissão, mil histórias e cada um com uma versão, péssimo tudo isso pra quem está ainda fora de sintonia, inseguro, com o medo muito vivo no coração, aliás porquê medo?Assunto que vou voltar no futuro, naquele momento não demonstrava, mas no íntimo havia sim, o medo.
O primeiro que se manifestava de imediato era em relação ao trabalho, não podia perder o emprego naquele momento, mas a confiança já havia perdido, então por que não mudar, e em menos de um mês conseguiria a mudança, foi meio que um choque para a maioria, mas que mudava não somente o empregador, mas voltava a trabalhar perto de casa, uma empresa menor que não vive de constantes especulações, mudanças a todo momento, te da mais calma, embora sofreria por alguns meses para adaptação o que é normal em qualquer mudança que se faça, que aliás é a única certeza na nossa vida, de que as coisas vão mudar.
Na vida particular tudo seguia bem, exames de acompanhamento tudo ok, fazíamos uma peque reforma na casa, diversão a toda, sempre saindo com amigos, familiares, enfim vivendo a vida a sua plenitude, exceto um ponto primordial, espiritualidade, como é fácil deixar escapar quando estamos bem não, não me atentava ali, mas aos poucos estava voltando a estaca zero, leituras reduzindo, visitas ao centro cada vez mais esporádicas, sem notar você vai se afastando, e é incrível como só percebe se estiver de fora, quando se está no meio do rebolo, não se tem noção, e cria intuitivamente, desculpas pra si mesmo, tentando enganar algo que não se engana, que a sua própria consciência.