terça-feira, 7 de abril de 2009

27 - MARIA EUPHELIA - ETERNA GUERREIRA






“Ultrapassa, porém, toda pregação falada ou escrita, agindo incessantemente na sementeira do bem, em obras de sacrifício próprio e de amor puro, nos moldes de ação que o Cristo nos legou. Não pede recompensa, não pergunta por resultados, não se sintoniza com o mal. Abençoa e ajuda sempre.”


Pois é, de todo o peso, as dificuldades, surpresas e empecilho, um que eu jamais imaginaria aparece pelo caminho. Logo após toda a temporada de hospital essa figura maravilhosa nos causa a pior surpresa de nossas vidas.
Nossa mãe querida, vó Ofélia queridíssima dos meus filhos e sobrinhos que tanto lutou com um problema de saúde por anos a fio, nos deixa órfãos, nos deixa com o mais pesado fardo a se carregar, o da saudade, das boas lembranças e lutas pela qual passamos. Ela e meu pai, 56 anos juntos na saúde e na doença, sempre fortes e alegres, nunca nos passando nenhuma dificuldade e sempre nos dando o melhor ao seu alcance. Não tenho a mínima idéia de quanto minha mãe possa ter sofrido, mas reclamar da vida por dificuldades eu não poderia, se me lembrar apenas de algumas pela qual passou. Desde pequena suas inúmeras dificuldades por morar na roça, a mãe outra bravíssima mulher com filhos vindo um atrás do outro, recorreu a ela, que cuidava dos irmãos e depois de casada perdeu os três primeiros filhos que nasceram Marcelino, Nivaldo, Alexandre, Garotos já saídos do ventre, bebês, imagina a dor para suportar tal fardo. O primeiro homem que nasce após, sou eu e é uma história que sei aos pedaços mas foi muito dura com meus pais também, tive os mesmos problemas dos outros, várias internações, tratamentos intensivos, mas com certeza Deus a presenteou pois ela merecia.
Mãe e algo único e irreparável quando se perde é que você valoriza. Usando e abusando apenas, não devolve uma palavra de carinho, de afeto, não tenta entender o que se passa em suas cabeças, duras as vezes, mas quem não é.Cabeças duras muitas vezes são cabeças iguais que parecem se repelir, uma não aceita o auxilio da outra, esta, sempre fora a nossa batalha e é algo que me arrependo profundamente de não termos tido o tempo necessário para ajustes e entendimentos, veja você uma vida inteira e não damos conta de nos entender com pessoas queridas, que estão ao nosso lado o tempo todo. Mas também não fora o fim do mundo já que ultimamente vínhamos conversando legal, olhos nos olhos, sorrisos e histórias, abrindo o coração. Ela se tornou mais dedicada ainda a mim, coitada, gostaria de ter ficado ao meu lado o tempo todo, mas ainda não podia também se tratava e necessitava repouso absoluto.
Após algumas semanas é que você começa a perceber a tamanha falta, as ligações feitas diariamente, a voz otimista do outro lado sempre esperando o melhor, sempre rezando, enviando energias e a união que ela sempre buscava entre a família, reunindo a todos, fazendo questão de estarmos juntos aos domingos, acho que isso vai ser a maior perda, não pela festa, comida, bebida, mas pela integração que só avó é capaz de fazer, pena.

5 comentários:

Daniela disse...

Ela já está fazendo muita falta, pode ter certeza, ela nos deixou tão abruptamente, que me sinto sem chão, parece que me falta um "pedaço", mas tenho mais certeza ainda de que ela está em paz, iluminada, olhando sempre por nós, e nos abençoando sempre.

az disse...

olha, MM...
se não é fácil ler tudo que você transpôs aqui sem sentir um aperto no peito, imagino qual o sentimento dessa perda.
a perda dos meus é a coisa que mais atormenta minha vida, pra te falar a verdade. eu vejo a idade deles chegando e tenho medo de não corresponder às necessidades, sabe. mas isso é algo que eu só vou descobrir quando a hora chegar. e, nesses momentos mais duros, a gente sempre se descobre capaz de coisas inimagináveis.

relação entre pais e filhos tem, quase via de regra, sempre as mesmas semelhanças. o tal choque de gerações ou qquer coisa que o valha. e a gente, enquanto filho, sempre se sente autosuficiente, essa necessidade de se afirmar, de se mostrar independente e maduro o suiciente pra lidar com todas as bordoadas que a vida nos reserva. isso só mostra o quanto somos pequenos e cheios de imperfeições.

mas como vc mesmo disse, nesse blog, "a gente só aprende a ser filho quando vira pai". isso me conforta. mostra que o aprendizado é constante e eterno.

um abraço e muita força pra vc!

Anônimo disse...

Está fazendo muita falta, ainda não acredito acho que ela está viajando e vai voltar, ela está em paz pela pessoa maravilhosa que ela era. Tenho lembranças maravilhosos dos dias em que passavamos juntos.

Guilherme (China) disse...

Praticamente ela foi uma segunda mãe pra mim,desde o dia que nasci fui criado por ela, pois você e minha mãe estavam sempre lutando por mim, trabalhando, dando duro o tempo todo, para alcançar esta ótima vida que temos agora.Enquanto passaram por tempos difíceis e sem tempo pra cuidar de mim, eu estava lá, sempre sendo bem acolhido na casa dela. Minha infância se resume em "morar" com ela, o lugar que mais me sentia bem era ao seu lado.

A primeira perda que tive foi a dela,e pra mim já foi uma perda fatal, uma dor que não passa e até hoje não consigo acreditar que isto aconteceu, sempre imagino que foi um simples sonho,todos os dias me sinto perdido e um vazio por não ter ela mais aqui a minha volta.

Com ela aprendi a viver, tudo o que ela me ensinou será passado pra frente sempre. Paro pra pensar todos os dias onde ela pode estar agora, imagino o lugar mais bonito que possa ter, quando eu consigo imaginá-lo vejo ela neste lugar.

E onde quer que ela esteja, ela sempre será nosso anjo da guarda, e sempre estará em nossos corações.

Ela foi e sempre será uma "Eterna Guerreira" e foi isso que ela te ensinou pai, com todos estes problemas, tratamentos, dores, você também está se tornando um eterno guerreiro.

E nesta guerra estamos sempre juntos, abençoados pelo nosso anjo da guarda e nós vamos vencer juntos!

Que a força esteja com você!

Marcelo Martins disse...

Desde que li o comentario do meu filho Guilherme, acima, tenho tentado achar algo pra dizer, um comentário, agradecimento, elogio, mas não consigo. Não sei se algum pai já ouviu algo parecido, se algum neto fez tal agradecimento a avó desta forma, com coração tão aberto e tanta lucidez. Na 1ª vez que li, me desmanchei de chorar, pois aquilo nunca me passara na cabeça, enfim, obrigado de coração, meu filho querido.