
"É mais importante acrescentar vida aos dias do que dias à vida"
Cicely Saunders
Essa não seria a opção mais indicada naquele momento, entorpecer a mente, aliás entorpecer as ações, calar e não agir, ser submisso, não apenas diante de uma doença. Não vou ficar aqui discorrendo sobre os efeitos do tratamento de quimioterapia que me submeti por quatro meses, ia, mas não vou, não porquê se trata de um momento difícil em que você fica anêmico, tem enjôos, etc. Não que eu não queira me lembrar disso, é um mal necessário, a qualquer um que seja indicado, faça, nem hesite não brinque com algo sério por medo, pelas histórias que se contam, porquê seu cabelo vai cair,etc. É tudo balela.Eu, bom, como optei por essa opção, de ligar a TV e desligar a mente. Na realidade tomava drogas o dia todo, segunda e terça quimio, o resto jogado num sofá sendo enganado pela máquina de fazer louco.
Vacina antitumor, chá de graviola, água do padre Marcelo, pílulas do frei Galvão, dieta balanceada, novenas, promessas, tratamento espírita, molecular, médico não sei de onde, hidroterapia, yoga, terapia, meditação, multivítaminicos, gotas 3x ao dia, cogumelo do sol, medicina natural, suco de babosa, santos, santas, igreja,batista católica sétimo dia, budismo,centro espírita, e a maldita internet que fora suas correntes milagrosas, todo dia aparece com o 'mais novo milagre' , dá pra tomar/fazer tudo isso ai? Você entra naquela fase de receber ajuda e todo mundo quer te mandar algo que leu ou que ouviu de outro paciente que foi curado. Ótimo receber este auxílio num momento destes, mas em "quê" eu acreditava naquele momento e tinha convicção de real ajuda?Adianta você receber 50 dos melhores tratamentos/terapias coadjuvantes e pensar, será que isso adianta. Não que eu pensasse assim naquele momento, me lembro até de antes de ser operado, minha esposa sempre me preparava água benta para tomar, com a convicção (dela) de que seria útil o que hoje sei, não é útil é imprescindível, e que não acreditava, pois estava ligado apenas a matéria, exames e médicos. Aqueles quatro meses não foram proveitosos como deveriam ter sido, a TV, a ligação e preocupação excessiva com a volta ao trabalho, a vida normal, o apego a matéria, ao ter, a ansiedade não fora desligada mas potencializada, contava os dias e as vezes ia fazer aplicação, não podia devido a anemia ou gripe, que nestes casos é interrompida , ficava revoltado, pois não podia "perder mais uma semana"
Acreditar no poder maior, ter fé em Deus, mas o que fazia era apenas um tratamento preventivo, segundo os médicos estava tudo ok, e surgia na minha cabeça o eterno questionamento, nunca fui um religioso, cheguei em muitos momentos da minha vida a duvidar da existência de Deus, devido a tantas injustiças e disparidades do mundo e coisas mais que escreveria um livro sobre isso, então seria justo e merecedor nesse momento eu pedir ajuda a ele? Esta resposta eu recebi alguns meses mais tarde e não posso deixar de adiantá-la aqui. Você, quando esta doente, procura um médico?
Não vou fazer nenhuma apologia a qualquer religião neste momento, é assunto polemico demais, e tenho uma opinião formada sobre isso. Não existe a melhor, pior, certa, errada, a cada povo seu entendimento e a cada individuo sua crença e isso senti naquele momento na necessidade de busca-la e como o que se busca sempre se alcança, aparecia neste momento um convite, não para fazer parte de tal religião, mas para receber uma ajuda no final do tratamento de quimio, que findava, não tinha naquele momento a dimensão de aquele singelo convite mudaria a minha vida tão radicalmente.
Um comentário:
Grande Marcelo, tudo bem ? Espeo que sim. entrei no seu blog esses dias e me surpreendi com a sua história e mais no quão legal está sendo sua atitude com relação a isso tudo e mais ainda no tanto que você escreve bem. Te desejo boa sorte. Vou por o link do seu blog no meu space, pois vale a pena divulgar. abraço. andré.
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